
Querido Náufrago,
Ainda é cedo para se recolher.
O que se aproxima agora, deixa vir.
Seria mesmo um grande absurdo
dizer que você... de fato, não existe?
Que espécie de você eu venho criando?
Colabore comigo, me dê uma pista
de que eu não estou só
Exercito-me diariamente
experimentando encaixar no alfabeto
o milagre da palavra,
faço práticas esotéricas
com temperos variados,
já não como corações,
nem mesmo de galinhas...
Venho tentando discernimento
nas horas vagas e
devagar descobrir se tudo o que me cerca
em que medida é fato, ficção ou coisa nenhuma
Afinal...
como integramos um amor pelo outro
na continuação do amor por tudo?
Tem uma potência dentro que diminuímos
por medo de perder o que intentamos juntos
Depois que eu ir...
Não nade atrás de mim
Você não achará o fundo
porque nessa jornada,
o que caminha sobre a terra
mergulhará apenas em si